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A criação de Papagaios no país

A criação de Papagaios no país

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

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A criação nacional de Papagaios vai tomando fôlego graças à permissão para a posse e comercialização de animais silvestres muita gente ainda se surpreende com a notícia de que se pode ter papagaios nacionais de maneira legalizada.
"Na minha loja, converso sobre animais com muitas pessoas e percebo que quase a totalidade dos clientes acha que a venda de Papagaios é ilegal", constata Luiz Maluf, proprietário da Brazil Ornamental Fishes, especializada em peixes e aves.
Explicação para esse desconhecimento: o comércio, após 30 anos de proibição, só teve suas regras estabelecidas em outubro de 1997, por meio da Portaria 117 do Ibama.
E por enquanto não se vêem muitos animais da fauna brasileira em lojas e nem muita divulgação sobre a nova legislação.

Mas o fato é que enquanto as normas para a compra e a venda não eram definidas, os criadouros - esses, sim, há mais de uma década regulamentados para procriar as espécies - foram se formando e ampliando os plantéis. Resultado: a última lista de criadouros de psitacídeos emitida pelo Ibama e a checagem feita por Cães & Cia nas principais superintendências estaduais do Instituto apontam 13 criadouros dedicados a papagaios em todo o Brasil (veja Para Saber Mais).
Estão espalhados por várias regiões: São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Pernambuco, Santa Catarina, Brasília, Paraná e Minas Gerais. Porém, desses criadouros apenas quatro são comerciais. Ou seja, têm a licença do Ibama para vender seus Papagaios.
Entre os demais, quatro são científicos (podem manter e reproduzir espécies apenas para pesquisa) e cinco, conservacionistas (podem manter e reproduzir apenas para preservar).

Dos conservacionistas, três estavam, durante esta reportagem, em vias de obter a licença para atuar também como comerciais.
"Sem dúvida, o interesse dos criadouros conservacionistas em virar comerciais é um reflexo da regulamentação da compra e da venda, que antes não existia", avalia Luiz Maluf, que também é proprietário de um dos criadouros conservacionistas que pleiteia se tornar comercial, o Vale dos Colibris.
"Mesmo para quem não pretende fazer da criação um grande negócio, poder vender é uma perspectiva estimulante e às vezes necessária para evitar o excesso de animais no criadouro."

E AS VENDAS?

Quando o assunto é Papagaio, a reprodução em cativeiro não é propriamente uma missão impossível, mas requer certas manhas (veja Como Criar). Dos 13 criadouros registrados e entrevistados por Cães & Cia, nove já obtiveram sucesso na procriação dessas simpáticas e falantes aves.
Para alegria dos futuros compradores, entre os pioneiros em conseguir a reprodução de Papagaios no Brasil estão os três criadouros que já podem vender seus exemplares e os outros três que, no decorrer desta reportagem, se preparavam para tanto (veja Para Saber Mais).

E as vendas até agora? Elas têm crescido bastante, mas estão longe de ser numerosas. Os criadores comerciais que podem vender estão com uma perspectiva otimista, mas ainda contam nos dedos os papagaios já vendidos. Há basicamente dois motivos que justificam essa tímida movimentação do mercado.
A reduzida oferta é um deles. O outro é fácil de adivinhar. Se é fato indiscutível que as pessoas, na maioria, desconhecem a viabilidade de adquirir Papagaios de forma legalizada, como poderiam fazê-lo?

A pequena parcela da população que sabe dessa possibilidade, acha que se trata de um processo complicado, cercado de demoradas negociações com o Ibama. Isso já foi verdade.
Porém, com a Portaria 117, mudou.
Antes dela, mesmo quem não queria criar mas, sim, apenas manter um ou alguns papagaios como bichos de estimação precisava se tornar um criador conservacionista.
Hoje, os pretendentes a proprietários só precisam guardar a nota fiscal da compra, comprovando que ela foi feita em um criadouro autorizado a vender.

O desconhecimento sobre a regulamentação do comércio não tem fronteiras. Inclui a grande imprensa, que deveria divulgar tal regulamentação.
Inclui a polícia, que deveria parar de apreender animais regulamentados e de levar seus responsáveis para prestar esclarecimentos na delegacia. Inclui os pet shops, que, conforme prevê a Portaria 117, poderiam facilmente atuar como revendedores e se beneficiar bastante com isso.
Vamos aos exemplos. O jornal O Globo, do Rio, recusou há pouco mais de quatro meses o anúncio de um dos maiores criadouros comerciais do País, o Rostan.
"O departamento comercial alegou que não poderia promover esse comércio por julgá-lo proibido", conta um dos diretores do criadouro, Stanislau Szaniecki. No mês de julho, a revista Veja foi categórica ao sentenciar multas e até prisão a todos que comercializassem ou mantivessem animais silvestres brasileiros.

Quanto aos pet shops, a maioria não está vendendo papagaios pois acha que é ilegal. "O conceito que ainda predomina, inclusive entre os lojistas, é de que do pelo jornal, foi ao Ibama solicitar a divulgação da portaria na grande imprensa.
A iniciativa deu resultado. Desde então, pelo menos um criadouro, o Sítio Rodeo Drive, tem anunciado no mesmo jornal.

Alba Regina, que quase perdeu duas Araras, na última vez que prestou esclarecimentos à polícia, conseguiu que o delegado enviasse cópia da portaria às demais delegacias da Barra. Já faz alguns meses que a Birds & Company expõe e vende seus Papagaios e outros silvestres brasileiros sem problemas com a polícia. Já que deu certo, vale como dica.
Quem pretender vender silvestres da nossa fauna precisa se certificar de que o distrito policial da sua região conhece a Portaria 117 do Ibama. Outra medida providencial é esclarecer o público com placas nas vitrines e dentro das lojas. Muitas vezes, as denúncias partem de gente que também desconhece a norma.

VANTAGENS

Uma análise superficial pode passar a imagem de não ser muito vantajoso comprar um Papagaio de um criadouro autorizado a comercializá-lo. Como a produção em cativeiro não é muito grande, os preços dos exemplares chegam a ser o dobro daquele dos "camelôs".
Se é comum os vendedores ilegais oferecerem Papagaios por 300 reais, em um criadouro autorizado o valor sobe para cerca de 600 reais.

Mas as vantagens em optar pelo caminho legalizado são várias. A primeira é óbvia: comprar sem o potencial transtorno de infringir a lei, sujeitando-se a multas, apreensão do bicho e até prisão.
Quem compra de um vendedor autorizado também desestimula o comércio ilegal, um verdadeiro sinônimo de maus-tratos aos animais. Os traficantes de silvestres coletam, transportam e cuidam de seus bichos muito precariamente.

A aquisição de um Papagaio de criação legalizada é uma garantia a mais de saúde e de docilidade da ave. Enquanto no tráfico clandestino, os bichos são basicamente pegos na natureza, na criação organizada os exemplares vendidos são - por exigência do Ibama - necessariamente nascidos em cativeiro.
"A diferença de comportamento de um Papagaio selvagem e de um nascido no criadouro é notável", aponta Renato Pineschi, biólogo responsável pelo criadouro Rostan, do Rio.
"O selvagem tende a ser mais assustadiço e se estressa com os barulhos urbanos. Já o que nasceu em cativeiro está mais adaptado e não se abala tanto com os ruídos e com a movimentação e o manuseio das pessoas", completa.

Além disso, há também a seleção de acasalamentos feita pelos criadores. "Só acasalo os exemplares de comportamento mais dócil e calmo. Várias vezes, descartei Papagaios da reprodução por serem agitados, assustados ou estressados demais", afirma Pineschi. E mais: o trato cuidadoso dos filhotes ajuda a desenvolver a docilidade. A maioria deles é criada na "mão".
É uma espécie de adaptação, feita com o propósito de socializar as aves para o convívio com o homem. Quem compra de um criadouro comercial tem essa mordomia: quando retira o Papagaio, com cerca de quatro meses, ele já foi socializado durante o período mais eficiente para esse processo.
Outra vantagem em optar por comprar de um criadouro é a de poder contar com orientação especializada sobre os cuidados com a ave.

GRANDE VARIEDADE

A criação nacional de Papagaios vai além da espécie mais tradicional, a Amazona aestiva aestiva. Há diversos Papagaios (veja fotos). Os nativos do Brasil são todos do gênero Amazona, que congrega mais de 25 espécies. Têm o porte médio, de cerca de 30 cm, o bico curvo e o predomínio da cor verde.
As diferenças físicas entre eles não são das maiores. Normalmente, se referem à quantidade e à combinação de cores na cabeça e nas bordas das asas.
A maior parte da procura é pelo Amazona aestiva aestiva. "Mais de 90 por cento de quem quer um Papagaio, pede o Amazona aestiva aestiva", garante Pineschi.
O motivo da preferência é simples. "Na maior parte das regiões do País, essa é a espécie mais abundante e por isso a mais divulgada", explica Maluf.

Se essa espécie possui alguma qualidade sobre as outras, é difícil garantir. Sem dúvida, há mais exemplares sociáveis e que falam bem entre os Amazona aestiva aestiva do que entre os de qualquer outra espécie. Mas, conforme contrapõe Pineschi, esse dado não comprova que a espécie tenha maior tendência à sociabilidade e à capacidade de fala. É fácil entender o porquê: a população de Amazona aestiva aestiva atuando como bichos de estimação é significantemente mais numerosa.
"Todo o Papagaio, tem o mesmo potencial para falar e para ser sociável e não conheço estudos seguros que apontem maiores virtudes nessa ou naquela espécie", opina Pineschi.

COMO CRIAR

Uma alimentação balanceada é fundamental para a saúde de qualquer animal. Influi, entre outras coisas, na sua disposição em procriar e na resistência de seus filhotes.
No caso dos Papagaios adultos, comida em pouca quantidade significa interrupção na reprodução. Seu instinto natural percebe que os filhotes, caso nasçam, passarão fome e morrerão.
Comida em excesso, por sua vez, causa obesidade, o que também dificulta a reprodução. Por dia, a quantidade ideal de comida para um Papagaio equivale a cinco por cento do peso de seu corpo (cerca de 450 g), divididos em duas refeições. Como há muito desperdício durante a alimentação, ofereça cerca do dobro da dose correta por refeição.
O balanceamento básico da dieta de um Papagaio deve ser composto por 14 por cento de proteínas e três por cento de gordura, não mais que isso.
No Brasil, a maioria das pessoas opta por oferecer uma dieta variada, composta por frutas, verduras, legumes, sementes e ração. No entanto, recentemente, chegaram ao mercado rações importadas específicas para Papagaios, como a Pretty Bird, que substituem por completo a necessidade de outros componentes.

Reprodução: De forma geral, a partir de quatro ou cinco anos, os Papagaios estão sexualmente maduros. A época de reprodução ocorre de outubro a fevereiro. Veja o passo-a-passo para tentar a reprodução.


1) Faça um exame de sexagem, porque entre os Papagaios não há distinção visível entre macho e fêmea. Os métodos mais utilizados atualmente são a laparoscopia e o teste de DNA.
Algumas universidades brasileiras, como a USP, estão equipadas para realizá-los. Sobre o exame de DNA, também é possível fazê-lo através do envio do material (gotas de sangue ou penas da ave) pelos Correios.
O Laboratório Unigem Zoológica, em São Paulo, executa esse serviço.
2) Por determinação do Ibama, as aves são anilhadas ou "microchipadas". Use o código dessas identificações para criar um cadastro, especificando qual ave é macho ou é fêmea.
3) O ideal é ter vários exemplares, tanto machos como fêmeas, para soltá-los juntos em um grande viveiro. Isso possibilita que os casais se escolham, um costume natural dos Papagaios.
Quando dois exemplares começarem a voar juntos é sinal de que se escolheram. Certifique-se de que a dupla é formada por um macho e uma fêmea (há casos de duplas formadas só por machos ou só por fêmeas).
Se você tem só um casal, a reprodução é mais difícil, mas pode ser tentada.
4) Junte o casal em um viveiro de cerca de 1 m x 0,8 m a 1,2 m x 2 m (altura, largura e comprimento). A área não muito grande faz com que se sinta protegido, contribuindo para o acasalamento. Evite barulhos e movimentação de pessoas no local. Coloque um ninho externo, cuja abertura permita o manejo e a visualização do seu interior.
O que tem formato em "L" é o mais comum. É recomendável que seja de madeira, pois atua como isolante térmico. O feito de metal, por exemplo, em regiões quentes esquenta demais e pode matar os embriões nos ovos.
Faça uma armação de tela em volta do ninho de madeira, evitando que os Papagaios biquem o ni nho, abram um buraco e fujam. Forre o piso com areia e raspas de serpilha grossa ou pedaços de troncos de eucalipto seco.
5) Após tudo isso, só resta aguardar. Se macho e fêmea estiverem afinados, o comportamento deles será alterado. O macho levará comida para a fêmea no ninho. Ela, por sua vez, ficará mais tempo aninhada.
O casal dormirá junto e trocará comida na boca. Ao notar essas mudanças comportamentais, passe a verificar se há ovos no ninho.
6) Quando houver ovos, pode-se optar pelo sistema natural, no qual os filhotes nascem em companhia dos pais, ou pelo sistema de chocadeira, usado pelo Rostan. Tanto num caso como no outro, a eclosão leva cerca de 26 dias. O sistema de chocadeira pode aumentar a produção.
Se o ovo for retirado rapidamente assim que a fêmea o botar, ela logo em seguida coloca outro.
Outra vantagem da chocadeira é evitar a quebra dos ovos, muitas vezes ocasionada pelos pais.
Caso a opção seja pelo sistema natural, mantenha pai e mãe juntos, pois ambos cuidam dos filhotes.

Cuidados com os filhotes

Se a intenção é que sejam exemplares mansos e bem sociáveis trate-os "na mão". Caso tenham nascido na chocadeira, logo após o nascimento coloque-os na encubadeira.
Se tiverem nascido no ninho, só os transfira para a encubadeira aos dez dias de vida, quando ainda estarão de olhos fechados. Até emplumarem, devem permanecer na encubadeira, mantida a 33 graus Celsius.
Os filhotes precisam se alimentar corretamente para crescerem saudáveis e resistentes.
Ao contrário dos adultos, podem ter uma dieta rica em gordura, pois têm um gasto energético muito maior e ela ajuda no desenvolvimento geral da ave. A ração Pretty Bird para filhotes, que é farelada, é utilizada no Rostan como fonte única de alimento.
Ela já contém todos os nutrientes necessários e possui 12 por cento de gordura. Se a opção for pela dieta variada, deve-se buscar consultoria técnica de um biólogo ou veterinário, com experiência em Papagaios.
É que as receitas podem variar conforme o clima da região e conforme o tipo de alimento local.
O ideal é alimentar os filhotes várias vezes ao dia.
O criadouro Rostan, nos primeiros 30 dias de vida dos Papagaios, alimenta-os de hora em hora, das 7 h às 20 h.
Após esse período, o número de refeições vai diminuindo gradativamente. Não existe uma fórmula exata para essa diminuição. Ela deve ocorrer conforme o crescimento da ave e conforme a rapidez com que o papo esvazia.
Ou seja, na hora de uma determinada refeição, se o papo ainda estiver cheio, ela não deve ser dada.
A técnica para os filhotes ingerirem o alimento é um capítulo à parte.
Eles devem ser alimentados no bico por meio de uma seringa ou uma sonda de aço, específica para essa função. No entanto, é preciso muito cuidado durante o processo.
A comida tem de ser aplicada do lado direito da ave.
Se for colocada do lado esquerdo e fora do esôfago, vai para o pulmão, e o filhote morre asfixiado.
Como o risco é grande, o melhor é transferir a tarefa a um especialista, como um veterinário de aves ou um biólogo


Quando o filhote estiver emplumado e com os olhos abertos, começa-se a oferecer ração peletizada de adulto. Ele irá apenas brincar com essa ração.

Mas assim, aos poucos, aprenderá a comer sozinho, o que começa a ocorrer por volta dos dois meses e meio de vida. Aos três meses, já pode ser transferido para um viveiro com Papagaios jovens e filhotes.

Com adultos, o filhote só pode conviver aos seis ou sete meses, quando já sabe voar.

Recomenda-se vendê-lo a partir de quatro meses.

Fonte:avedomestica.com

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